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- Editorial
Authors: Marcio Cappelli, Sebastião Lindoberg da Silva Campos Pages: 6 - 10 PubDate: 2022-12-22 DOI: 10.23925/2236-9937.2022v28p6-10 Issue No: Vol. 12, No. 28 (2022)
- A poética do silêncio e da sede de Deus em José Tolentino
Mendonça Authors: Samuel Dimas Pages: 11 - 43 Abstract: Procuraremos identificar neste artigo de que forma a poesia de José Tolentino Mendonça concilia os pressupostos teológicos da sua experiência religiosa cristã católica com a arte literária enquanto expressão da sua experiência mística. Numa época que vive o desafio da superação dos antagonismos entre ciência e religião, razão e fé, teologia e espiritualidade, podemos encontrar na teopoética deste autor a manifestação de uma experiência estética que traduz o acolhimento do mistério da vida divina na condição paradoxal do mundo finito. O desejo de Deus não é saciado pela voz estridente de uma intervenção arrebatadora, mas pelo silêncio despojado de uma presença inefável e recriadora. A partir deste novo olhar, introduz a sua obra num diálogo fecundo com a cultura contemporânea sequiosa de benevolente serenidade e paz. O Deus de Tolentino manifesta-se na luz e nas trevas como doador de sentido e de amor e não como juiz ou cobrador de impostos. PubDate: 2022-12-22 DOI: 10.23925/2236-9937.2022v28p11-43 Issue No: Vol. 12, No. 28 (2022)
- Casimiro Cunha, o Trovador do Evangelho, e o rudimento de uma poética
Authors: Dílson César Devides Pages: 44 - 80 Abstract: O artigo que segue é parte de uma pesquisa mais ampla sobre a utilização da poesia espírita como recurso biblioterapêutico. Dada a vastidão de autores espirituais, escolheu-se o nome de Casimiro Cunha por ser um dos poetas mais profícuos dentre outros psicografados por Chico Xavier e por conta de, em leituras prévias, sua poesia abordar temas propícios à prática biblioterapêutica, quais sejam, a fé, a esperança, a confiança, a resignação e a humildade. Primeiramente, fez-se uma busca por toda a produção de Xavier para encontrar e catalogar os poemas de Cunha. Encontrou-se 601 poemas distribuídos em 76 livros. A seguir, elegeu-se os três livros solo de Cunha para análise de sua poética e, consequentemente, eleição de quais poemas seriam mais adequados para a prática biblioterapêutica. Portanto, por meio de pesquisa bibliográfica e analítica, apresenta-se o que se constatou que a poética de Cunha é proveitosa e pertinente à terapia pela literatura, uma vez que que é direta, utiliza linguajar e imagens simples, prima pela musicalidade e pela concisão, e, o mais importante, trata de temas reconfortantes, animadores, estimulantes e apaziguadores; fundamentais para auxiliar àqueles que passam por diversos problemas emocionais e/ou situações delicadas como, por exemplo, a internação hospitalar. PubDate: 2022-12-22 DOI: 10.23925/2236-9937.2022v28p44-80 Issue No: Vol. 12, No. 28 (2022)
- A Narrativa da Criação nos versos da mulher que enganou o Diabo
Authors: Alair Matilde Naves Pages: 81 - 110 Abstract: Este artigo apresenta uma aproximação entre a literatura de cordel e o texto bíblico de Gênesis 1 - 2, em vista de uma releitura da narrativa da Criação nos versos de A Mulher que enganou o Diabo, de Manoel D’Almeida Filho. A teopoética é o viés deste artigo, considerando o entendimento de Antônio Manzatto e José Carlos Barcellos como pano de fundo da aproximação entre a teologia e a literatura. A metodologia é a pesquisa bibliográfica e a leitura analítica dos, promovendo a compreensão do imaginário cordelista sobre a Criação nos sete mandatos de Maria da Conceição e a comparação com a narrativa bíblica. Ao levar o Diabo a realizar as obras do bem, a mulher consolida uma inversão dos poderes do maligno. Se no paraíso bíblico uma mulher foi enganada pela serpente, no paraíso cordelístico uma mulher astuta engana o Diabo. O lugar do mal é ressignificado e o Diabo é quem é expulso. Maria herda o novo mundo e todos vivem felizes louvando a Deus Todo Poderoso. O poeta põe em versos o sonho de um lugar bom de se viver, um paraíso onde não há espaço para o mal e nem para o Diabo. PubDate: 2022-12-22 DOI: 10.23925/2236-9937.2022v28p81-110 Issue No: Vol. 12, No. 28 (2022)
- Hipocrisia: as relações clérico-sociais abordadas nas obras O crime do
Padre Amaro de Eça de Queirós e O Mulato de Aluísio de Azevedo Authors: Janaína Quintana de Oliveira, Tamara Oswald Pages: 111 - 135 Abstract: O presente artigo aborda aspectos semelhantes entre a obra portuguesa O crime do Padre Amaro de Eça de Queirós e a obra brasileira O Mulato de Aluísio de Azevedo, pois ambas traçam uma crítica aos costumes burgueses e ao clero oitocentista, fazendo um retrato das sociedades de costumes dos dois países naquela época e como esses espaços eram influenciados e subjugados ao que preconizavam alguns religiosos perniciosos e inescrupulosos em benefício do seu bel-prazer. A primeira é ambientada na cidade de Leiria, em Portugal; já a segunda é em São Luís do Maranhão, Nordeste do Brasil. As duas obras fazem parte dos movimentos Realismo e Naturalismo, momentos em que por meio da literatura fez-se o desenho do homem e da sociedade viscerais, mostrando o aspecto mais animalesco destes, indo ao encontro das novas teorias filosóficas, políticas e científicas que eclodiram no século XIX. PubDate: 2022-12-22 DOI: 10.23925/2236-9937.2022v28p111-135 Issue No: Vol. 12, No. 28 (2022)
- Um artista nacional'
Authors: Víctor Almeida Gama, Alexandre Sugamosto Pages: 136 - 158 Abstract: A descoberta dos manuscritos da Clavis Prophetarum (A Chave dos Profetas), documento que era considerado desaparecido há pelo menos trezentos anos e ressurgiu em 2022, reacendeu o interesse na obra do “jesuíta do rei” e em seus escritos considerados fundamentais para “para a história luso-brasileira” 1. No entanto, a realidade é que a obra de Antônio Vieira (1608-1697) tem sido fonte de controvérsia teológica e literária desde que vieram a lume. Por exemplo: uma das teses centrais da Clavis, -tese a respeito da qual nem o próprio Vieira parece ter alimentado convicção ao longo da vida- é a de que estava em gestação o tempo da consumação milenar do “reino de Cristo”. O livro faz parte do que a historiografia convencionou chamar de “Trilogia do Quinto Império”: somam-se ao “Chave dos Profetas”, a carta “Esperanças de Portugal” (“Carta ao Bispo do Japão”), escrita em 1659, e a “História do Futuro”. Em diversos momentos da trilogia, Vieira afirma que esse Quinto Império- aquele que consumará o futuro esperado e sucederá o dos egípcios, assírios, persas e romanos- é o próprio reino de Portugal. O artigo pretende analisar a carta do Padre Vieira, Esperanças de Portugal, em seus aspectos literário e teológico.
PubDate: 2022-12-22 DOI: 10.23925/2236-9937.2022v28p136-158 Issue No: Vol. 12, No. 28 (2022)
- Machado de Assis e a Teologia da Prosperidade
Authors: Paulo Sérgio de Proença Pages: 159 - 192 Abstract: Nos escritos de Machado de Assis Literatura e Teologia se encontram; a Bíblia é o espelho que serve para crítica aos desarranjos do tempo, sobretudo econômicos. O objetivo deste estudo é averiguar similaridades e divergências entre a Teologia da Prosperidade, recente e relevante fenômeno que se expandiu no panorama religioso do Brasil, e a paródia “O Sermão do Diabo”, publicada em 1892 pelo escritor carioca. A metodologia adotada é a pesquisa bibliográfica, com colação de textos bíblicos e machadianos. O apoio teórico focará escritos de Hagin, principal ideólogo da Prosperidade cujos livros influenciaram adeptos no Brasil; para analisar o sermão machadiano seguimos princípios semióticos apontados por Barros (2001) e Autor (2011), elementos de carnavalização indicados por Bakhtin (1987) e configuração de paródia, de acordo com Hutcheon (1989). Resultados indicam que tanto Machado quanto o movimento da Prosperidade associam religião e economia, mas há motivação e finalidade específicas em cada proposta. PubDate: 2022-12-22 DOI: 10.23925/2236-9937.2022v28p159-192 Issue No: Vol. 12, No. 28 (2022)
- Autor, leitor, texto. Sobre leitura como jogo e seus referenciais
pragmáticos Authors: Osvaldo Luiz Ribeiro Pages: 193 - 218 Abstract: Proposta de solução do conflito das intenções (intentio auctoris, intentio lectoris e intentio operis) conforme expresso em Interpretação e superinterpretação, de Umberto Eco. O caminho metodológico consiste nos seguintes passos: a) com base em Johan Huizinga, aplicar a noção de jogo à prática de leitura, estabelecendo o fato de que as regras de interpretação constituem função específica de cada jogo de leitura; b) discernir os tipos de jogos de leitura com base nos três tipos de pragmática: estática, política e heurística; c) com base em Peirce, assumir cada uma das três instâncias de sentido o papel de referencial semiótico de um específico tipo de jogo de leitura; d) concluir que a pluralidade de interpretações possíveis de um texto constitui função da aplicação das regras internas de cada jogo de leitura. Conclui-se, de um lado, que jogos estéticos e jogos políticos de leitura produzem potencialmente infinitas interpretações e que apenas jogos heurísticos de leitura efetivamente podem impor limites para a interpretação, e, de outro, que o resultado de cada um desses jogos de leitura só pode ser avaliado com base nas suas próprias regras. PubDate: 2022-12-22 DOI: 10.23925/2236-9937.2022v28p193-218 Issue No: Vol. 12, No. 28 (2022)
- Tempora mutantur, et nos mutamur in illis
Authors: Helmut Renders, Jonadab Domingues de Alemeida Pages: 219 - 248 Abstract: Os basicamente idênticos trinta e sete painéis de azulejos no claustro de São Francisco em Olinda, Pernambuco, e no convento de São Francisco em Salvador, Bahia, compostos por inscriptiones e picturae de emblemas do livro Q. Horati Flacci Emblemata (1607), do artista flamengo Otto van Veen (1556–1629), articulam uma compreensão do tempo baseado no neoestoicismo do filósofo flamengo Justus Lipsius (1547-1606). Entretanto, o lema ou moto do painel Tempora mutantur, et nos mutamur in illis (Os tempos mudam e nos mudamos com eles) cita uma visão temporal articulada pela primeira vez pelo pastor luterano Caspar Huberinus (1500-1553) e finalizado, trocando nosque por et nos, pelo latinista e médico protestante Matthias Borbonius (1566-1629). Dessa forma, os painéis documentam uma disputa sobre a temporalidade vigente, entre a temporalidade clássica (fatum stoicum) e medieval e a temporalidade moderna, lida por nós a partir do referencial teórico da aceleração do tempo de Hartmut Rosa. Concluímos que o tema da temporalidade, justamente pela sua alteração em processo, era nos séculos 16 (Lipsius), 17 (van Veen) e 18 (painéis) um assunto que dividiu as confissões pelas suas ênfases distintas na tradição (o passado orienta o presente) e na palavra que desafia o status quo (o presente se abre para um futuro distinto). PubDate: 2022-12-22 DOI: 10.23925/2236-9937.2022v28p219-248 Issue No: Vol. 12, No. 28 (2022)
- Um Projeto de Escrita Teopoética
Authors: Rui Pedro Vasconcelos Pages: 249 - 271 Abstract: A obra poética de Patrice de la Tour du Pin (1911-1975) é aqui estudada sob o signo de um projeto de escrita teopoética. Após uma breve apresentação biográfica, com a sua inscrição nos processos eclesiais de renovação da liturgia católica no pós-concílio Vaticano II, seguiremos a reflexão que o poeta fez sobre a relação entre a liturgia e a criação poética, expressa em artigos e conferências; finalmente, será feita uma breve leitura de dois poemas de Tour du Pin e um hino de Gregório de Nazianzo, que o poeta francês assumiu como fonte inspiradora. Finalmente, colocam-se interrogações quanto à relação entre liturgia e teoliterária PubDate: 2022-12-22 DOI: 10.23925/2236-9937.2022v28p249-271 Issue No: Vol. 12, No. 28 (2022)
- Liberdade e responsabilidade da pessoa.
Authors: Clélia Peretti, Bruno Henrique Campos Pages: 272 - 293 Abstract: Liberdade e responsabilidade são dois conceitos que devem ser percebidos em todas as suas delicadezas e densidades. O ser humano toma para si a compreensão de liberdade e, em algumas vezes, é a compreensão que lhe convém, isto é, pensa em si mesmo apenas em sua individualização e acaba por deixar de lado a coletividade em que está imerso. Nessa dimensão, Edith Stein trata ambas destas questões a partir de uma perspectiva que possibilita analisar a estrutura ôntica do ser humano, bem como a inserção da especificidade da graça que dialoga diretamente com a liberdade do indivíduo, percebida também, como dom gratuito de Deus. Assim, a liberdade do ser humano infere direta e indiretamente no “eu” e no “outro” e, consequentemente, é de sua responsabilidade tais inferências. A partir desta perspectiva, Stein deixa-se influenciar pela clássico alemão “Fausto” de Goethe uma vez que, a obra traz a narrativa que dialoga inteiramente com a relação existente entre liberdade e responsabilidade, ambas tanto na perspectiva individual quanto na de outrem. Assim, através da obra de Goethe é possível buscar uma fundamentação teórica, filosófica e teológica, acerca da estrutura ôntica da pessoa na percepção de Stein. PubDate: 2022-12-22 DOI: 10.23925/2236-9937.2022v28p272-293 Issue No: Vol. 12, No. 28 (2022)
- A apropriação conceitual que Søren Kierkegaard faz de personagens
bíblicos em seus discursos edificantes Authors: Paulo Henrique Lopes Pages: 294 - 308 Abstract: A obra de Søren Kierkegaard (1813 – 1855) é marcada por uma grande articulação estilística entre forma e conteúdo. Para a sua filosofia da existência, o “que” se produz sobre o existir deve necessariamente articular com o “como” se produz. Em uma abordagem indireta do tornar-se si mesmo, a nossa maior tarefa enquanto indivíduos, Kierkegaard esquivará de escrever sistemas filosóficos ou doutrinas religiosas. Para isso, ele recorrerá a figuras de linguagem, humor, ironia, pseudonímia e, no caso de nossa presente análise, à apropriação de personagens bíblicos enquanto modelos subjetivos de tal tarefa. O presente artigo busca uma análise pontual desta última questão aplicada a dois de seus discursos edificantes. Em um primeiro momento, exporemos as bases de uma antropologia religiosa em que Kierkegaard irá basear aquele movimento em que o ser humano se torna um si mesmo, superando sua condição de pecado e desespero, através de um salto da fé. Em um segundo momento, analisaremos como ele se apropria das figuras de Jó e da Pecadora para, menos do que explicar ou fornecer diretrizes para este movimento existencial, prover modelos pelos quais aquele salto da fé pode ser observado e, enfim, apropriado pelo leitor. PubDate: 2022-12-22 DOI: 10.23925/2236-9937.2022v28p294-308 Issue No: Vol. 12, No. 28 (2022)
- Fabrice Hadjadj, leitor de autores italianos
Authors: João Pedro da Luz Neto, Bernardo Guadalupe dos Santos Lins Brandão Pages: 309 - 327 Abstract: O presente artigo pretende mostrar como o filósofo e ensaísta de sobrenome árabe, origem judia e religião católica Fabrice Hadjadj se utiliza de dois autores italianos, a saber, Dante Alighieri e Lorenzo da Ponte, para aprofundar as suas reflexões sobre a noção de Paraíso. No primeiro caso, Dante fornece pistas para a compreensão de uma noção de Paraíso que ultrapasse as críticas de Friedrich Nietzsche. No segundo, o autor explora o conceito de “redenção”, presente na ópera “Don Giovanni”. Após a exposição da interpretação do filósofo em cada caso, constatamos que a leitura de Dante promove, para Hadjadj, um deslocamento do paraíso do exterior para o interior e que Don Giovanni explicita, segundo Hadjadj, a dinâmica redentora do Paraíso, à medida em que o convite à máxima felicidade não é fruto de uma conquista pessoal ou do cumprimento de um preceito moral, mas um dom que vem do Alto. Finalmente, constatamos o caráter transdisciplinar da leitura que Hadjadj faz de Da Ponte e Dante, considerando-os como autores cujas obras exprimem realidades profundas que precisam ser desveladas e que podem envolver e auxiliar àqueles que leem o texto contemporaneamente. PubDate: 2022-12-22 DOI: 10.23925/2236-9937.2022v28p309-327 Issue No: Vol. 12, No. 28 (2022)
- Nominata Avaliadores Teoliterária ano 2022
Authors: Jefferson Zeferino Pages: 328 - 332 PubDate: 2022-12-22 Issue No: Vol. 12, No. 28 (2022)
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